A história do design italiano torna-se mais fácil de recordar quando começamos pelas perguntas, não pelos nomes.
Gio Ponti perguntou o que o design podia tornar-se enquanto cultura pública. O prémio Compasso d'Oro, criado em 1954, nasceu de uma ideia sua e foi inicialmente organizado pela La Rinascente. O prémio levou objetos desenhados a um público mais amplo e defendeu que a sua qualidade merecia atenção.
Achille Castiglioni, com o irmão Pier Giacomo, perguntou por que razão uma luz útil precisava de um cabo a sair do teto. O candeeiro Arco respondeu com alcance e equilíbrio: projeta luz sobre uma mesa estando apoiado noutro lugar. A sua forma teatral nasce de uma proposta prática para uma divisão.
Ettore Sottsass perguntou se os objetos tinham de se comportar bem. Com Barbara Radice, fundou Memphis em Milão, em 1980. As suas peças usaram cor e forma para tornar impossível ignorar a personalidade do objeto. Alguns adoram o desafio; outros não o levariam para casa. Qualquer das respostas é mais interessante do que chamar-lhe apenas um estilo.
Isto não é uma classificação dos três «melhores» designers. Trabalharam em contextos diferentes e as suas conquistas não cabem num único objeto ou movimento. Oferecem antes três entradas numa conversa mais rica: quem tem acesso ao design, como um objeto altera um hábito e quanta personalidade uma casa consegue acolher.
Ponti complica também a noção habitual de autoria. Um prémio que leva o design ao público muda o contexto em que as pessoas encontram objetos. O candeeiro de Castiglioni mostra outra influência: faz-nos reparar no incómodo prático que antecedeu uma forma elegante. Memphis vai mais longe ao recusar que a utilidade obrigue um objeto a ser visualmente obediente. Não são três degraus do «bom» para o «melhor». São três intervenções culturais diferentes.
Use esta comparação num museu ou ao escolher algo para casa. Lembra-se da peça porque resolveu um problema, porque mudou o gosto público ou porque ainda o faz discutir? A resposta talvez explique por que razão algo de outra década parece mais atual do que um objeto recém-criado. A data é um facto; a capacidade de mudar aquilo que vê é uma relação que pode continuar.
Da próxima vez que vir uma peça italiana famosa, tente ler a divisão à sua volta. Que pressuposto quotidiano mudou quando apareceu? Talvez a parte mais duradoura do design não seja a sua silhueta, mas a possibilidade que abriu.



